O capitalismo autocrático será, sem dúvida, uma das marcas da ordem global do século XXI, pelo menos na sua primeira metade. A forma como as democracias liberais ocidentais vão lidar com este novo paradigma irá ditar uma boa parte do futuro da liberdade neste século.
Com efeito, não só o maior concorrente económico é um sistema capitalista autocrático (China), como também as democracias liberais do ocidente estão reféns de autocracias assentes no poder energético (Rússia, Venezuela, Irão, Arábia Saudita…) - este é o novo «Segundo Mundo», como bem definiu Jorge Nascimento Rodrigues no Geocóspio.
Qual a solução? A única via é tentar integrar, limitando os efeitos «Cavalo de Tróia», estes novos actores dentro do actual sistema internacional construído pelo Ocidente. John Ikenberry defende esta perspectiva de uma forma bem concreta e fundamentada na última Foreign Affairs.
No essencial, o principal argumento daquele académico é que a ascensão da China é inevitável e que a única forma de a controlar é fazer com que a China jogue as mesmas regras do jogo que o Ocidente joga.
Mas para isso é preciso que os EUA reforcem e liderem a reforma das instituições internacionais, e pelo contrário, não as destruam sem alternativa, como infelizmente tem sido a marca de George W. Bush nesta matéria. A integração dos BRIC na ONU e em instituições mais informais como o G8 são também soluções apontadas por John Ikenberry. Não está sozinho, pois Sarkozy apelou para o mesmo no seu discurso nesta semana sobre a Nova Revolução Francesa.
Portugal é um exemplo nesta matéria: a integração da autarcia salazarista na economia internacional criou parte das contradições no sistema interno que levaram ao nascimento da democracia.
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