Aprender a ser democrata na era da tecnocracia
Mai 9th, 2008 by Ruben Eiras
Numa fase da história em que a democracia se encontra mergulhada em princípios de incerteza devido ao bloqueio social das sociedades europeias e norte-americana, ao terrorismo islâmico-religioso, a um sistema de valores laico estável e consolidado, ao descrédito dos políticos e ao poder cada vez maior da finança nos meandros políticos, nunca foi tão mais urgente a adopção de um comportamento cívico activo na construção da democracia.
Em termos práticos, isto significa que cada um de nós deverá usar das liberdades de participação que foram conquistadas pelo 25 de Abril com o objectivo de combater a degradação do clima democrático no nosso quotidiano. Ou seja, envolver-se activamente nas ONG que defendam causas com as quais nos identificamos e activamente nos partidos políticos que representem os interesses e valores de cada um, sobretudo actuando a nível local.
Só assim é que poderemos garantir que os governos debatam as opções com a sociedade e não imponham as soluções à sociedade como factos consumados.
Só assim é que construiremos uma sociedade mais autónoma, mais empreendedora e mais consciente dos seus direitos, resistindo a ataques subreptícios, aparentemente inocentes, à igualdade e à liberdade (como os ginásios só para mulheres). Este tipo de conceitos vão aos poucos instalando uma mentalidade de que é natural ter locais separados segundo o segmento do género (ou outro qualquer), com o argumento de que é racional do ponto de vista de rentabilização económica ou de incómodo social.
E para ser um democrata activo numa era em que impera o fundamentalismo a tecnocracia do mercado, é preciso «comprar» tempo para ser democrata. Não devia ser assim, mas é. Sonho que um dia assim não seja.