Portugal e o amor à liberdade
Jun 20th, 2007 by Ruben Eiras
Será que os portugueses amam a liberdade? Será que os portugueses consideram a liberdade como uma condição sine qua non para a sua existência plena? Será que os portugueses respeitam a liberdade como direito inalienável?
Se não estou em erro, foi Benjamim Franklin que disse uma vez que «o povo que troca a sua liberdade por outra coisa qualquer não merece ser livre». Não sei se estou a ser rigoroso na citação, mas a essência do pensamento é esta.
Porquê esta indagação? Isto porque, nos últimos anos, estamos a mergulhar num delírio tecnocrata neo-salazarento, que vê no autoritarismo da ortodoxia financeira a solução última para os problemas de que padece o país. O desperdício financeiro existe porque não existe um intento estratégico para o país, daí o desnorte na gestão dos recursos materiais e humanos.
E sem uma crítica assaz construtiva, amputa-se o espírito aberto e criativo que nos poderá conduzir a uma sociedade mais próspera e sustentável.
Os portugueses amam mesmo a liberdade? Acho que ainda não, pois a maioria nunca provou e viveu quotidianamente os frutos de uma liberdade verdadeira, plena e responsável, em que o mérito é efectivamente recompensado e o incumprimento da lei efectivamente punido.
É verdade, existe em Portugal um sentimento permanente de Laissez faire, laissez aller em que a ribalta ajuda a encobrir a gravidade do que é punível; os médias não parecem querer transmitir a informação mas antes a venda de jornais e espaços publicitários em prime time. Durante os anos da minha juventude em Lisboa ouvi o argumento de um país saído da ditadura…isso acabou há muito tempo. Não é preciso um Msc ou PhD ’s mas somente um pouco de sanidade e leitura ao fim de semana para se chegar à conclusão que Portugal entrou na CEE em 1986. Na mesma altura entrava Espanhã. Hoje, malgré nous, Espanhã é um país evoluido onde as coisas fazem sentido e as pessoas são livres, rectius responsáveis! Não é justo sequer pensar que Portugal é menos que outros..porque o povo em si é capaz. A História assim o demonstrou. Há casos paradigmáticos da vontade de vencer essa tal tecnocracia neo-salazarena …infelizmente temo-las visto fora das fronteiras nacionais, entre ilustres do MIT a MBA’s por Harvard, passando por competentes desportistas, a políticos de gabirito internacional, etc… A liberdade é um dado teórico em Portugal porque não se sabe ser -se gente, sem os preconceitos de uma classe dirigente que funciona melhor nos corredores de Bruxelas que no Parlamento Nacional…
Outro aspecto que sempre me atormentou foi o mérito …mas que mérito ? Ser-se general corrupto por esferas douradas ou deixar-se cair uma ponte e fugir às responsabilidades próprias de quem as assume. É fácil tecer criticas …mas é mais simples fugir às responsabilidades dando um maú exemplo.
Finalmente acredito no valor português, nas pessoas …com a direcção certa! Ser -se livre não é fazer-se o que se quer tout court, é fazer-se o que se pode dentro das regras e do respeito pelo próximo com uma visão estratégica definida ao nível não do compadrio mas da sensatez e honestidade.