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Inovar a República

A política portuguesa caminha para uma nova fase que provavelmente culminará no longo prazo para a refundação do regime. Com efeito, avolumam-se os sinais de que a IV Républica é cada vez um cenário mais pláusivel. O estado lamentável de atomização do PSD, a fragmentação do eleitorado à esquerda (se Alegre fundar um novo partido) e o tsunami do BPN que irá varrer muitas redes de interesses do Bloco Central são alguns dos sintomas do alastrar do apodrecimento interno do regime à sua derme.

Por isso, um dos debates centrais da democracia portuguesa é o futuro do seu sistema político. Valerá a pena manter o que temos, um regime semi-presidencialista que está a entrar num impasse ou reinventá-lo para outro paradigma que torne o país mais governável? Por exemplo, para um regime presidencialista, contrabalaçado por um parlamento com uma representação equilibrada entre círculos uninominais e nacionais?

Urge inovação política para desbloquear o país.

Os anos 90 até ao 11 de Setembro não foram mais do que um breve e confortável intervalo da história para as democracias ocidentais. Um intervalo marcado pela ilusão do triunfo político do modelo da democracia liberal.

Sim, uma ilusão, dado que das cinzas da Guerra Fria, emergiu um cancro que corroeu uma oportunidade histórica para a solidificação da paz e liberdade no mundo - o modelo de capitalismo desregulado anglo-saxónico, cuja óptica fundamentalista no mercado resultou na anulação de um dos factores críticos de sucesso da paz perpétua: o bem-estar social e a segurança laboral, um dos traços característicos das sociais-democracias europeias. Além disso, também promoveu um modelo de crescimento demasiado assente na inovação financeira (como o sub-prime e os produtos estruturados) em vez da inovação tecnológica destinada a mudar o paradigma industrial do ocidente.

Agora as democracias ocidentais irão estar fragilizadas por um longo tempo perante as autocracias em ascensão do Segundo Mundo, dado que a transferência de riqueza vai continuar devido à dependência energética e aos empréstimos concedidos para evitar o colapso do sistema financeiro.

Provavelmente, o Ocidente vai ter de deixar o sonho de democracia em todo o mundo, para poder continuar a realizá-la nas regiões transântlatica e da oceânia. Por agora…

Um óptimo artigo de Jorge Nascimento Rodrigues na Janela na Web sobre o impacto do compadrio político - ou seja, as redes informais de quadros políticos que constroem sistemas de influência entre o Estado e as grandes empresas -  na competitividade da economia.

Baseado numa investigação de R aj Desai , o autor propõe uma série de medidas que poderão minimizar o impacto desta disfunção social no sistema político-económico (porque eliminá-lo nunca será possível e em algumas situações, nem é desejável - como em tudo em vida, o que é necessário é saber dosear «a coisa» condicionando os impetos predatórios):

Reforço do sistema de controlo e contrapeso ao governo

. Fortalecimento do aparelho judicial independente

. Dar voz a um espectro largo de agentes económicos, incluindo pequeno empresariado, consumidores, contribuintes

. Reforço do papel dos reguladores

. Alargamento do período de «nojo» entre a saída de lugares públicos e a retoma de carreiras privadas ligadas às áreas que anteriormente se tutelava

Eis uma base de programa político para Portugal.

A candidata republicana à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin, admitiu uma eventual declaração de guerra à Rússia na sua primeira grande entrevista televisiva, ao canal ABC , que irá ser transmitida esta noite, tendo sido divulgados alguns excertos.

A senadora do Alasca disse que era favorável à entrada para a NATO das ex-repúblicas soviéticas (como a Ucrânia e a Geórgia) e que, caso a Rússia invadisse esses países, como aconteceu na Geórgia, isso deveria representar um conflito com os EUA.

Questionada directamente isso representaria uma declaração de guerra, a senadora do Alaska respondeu: ««Talvez sim».

Sarah Palin diz que os países aliados devem estar atentos à Rússia e que, se um país aliado for atacado, espera-se que haja uma reacção dos outros páises.

em Portugal Diário

A superficialidade e o extremismo personalista com que se faz política nos nossos dias é assustador.

O exemplo das eleições americanas é um espelho desta tendência: os ataques e contra-ataques centram-se em soundbytes de latão e no estilo de vida dos candidatos. A substância das políticas que defendem é relegada para segundo plano. Ou então, toca-se no assunto muito pela rama.

A continuar assim, não admira que as pessoas escolham os candidatos que lhes fazem vibrar a alma ou com as quais se identifiquem pessoalmente, colocando em segundo plano de exigência de escrutínio a consistência das políticas pelas quais pugnam.

Apenas os eleitores sofisticados - que se dão ao trabalho de lerem os programas, os compararem e saber quem está na sua autoria - é que poderão fazer uma escolha esclarecida.

Estamos na era do eleitor «iletrado funcional» - temos de regressar urgentemente ao voto inteligente .

O que é que Obama e Palin têm em comum? Juventude, novidade, uma imagem de messias incorruptível, mas sobretudo, o talento de tocar na emoção humana. Basta ver os «actos de devoção» das multidões nos comícios de Obama e o fenómeno semelhante a fermentar no lado republicano com Sarah Palin.

E isso é o que é preocupante:a política na maior potência mundial não se está a reformar por imperativos de ética despida de inclinações religiosas. Pelo contrário - o discurso de combate do défice do político assenta na moral fundada em valores religiosos, destinada a mobilizar as pessoas com base na emoção e não na escolha esclarecida e racional.

Isto depois do século XX ter sido uma busca de sistemas ideológicos que substituíssem o pós-cristianismo (dando origem aos monstros do fascismo e do nazismo), assistimos novamente a uma tendência assente no deificar do político no dealbar do século XXI nos EUA.

O primeiro sinal foi o «compassionate conservatism» de George W. Bush (um «christian born-again»). A abordagem mais secularista de Kerry não pegou na segunda ronda eleitoral de 2004 e eis que aparece Obama em 2008 a galvanizar as massas com estilo de pastor baptista. E, sobretudo, o horror «palinista» republicano, que defende o ensino do criacionismo nas escolas públicas americanas e a missão divina dos EUA no mundo.

É verdade que os EUA não são uma nação pós-religiosa como as que compõe a UE, mas no século XX a sua elite política teve sempre as fronteiras entre a religião e o Estado bem definidas.  Essas linhas de separação são agora mais difusas e porosas, e a sua mistura é sempre explosiva, como nos mostra a história da humanidade.

É preciso restituir o espírito das Luzes na política e relativizar o emocional. Como diria Marx, a «religião emoção» é o ópio do povo.

Já saiu o Mapa da Liberdade de 2008 da Freedom House e o Mapa da Liberdade de Imprensa de 2007 .

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